MELHOR LIVRO DO ANO DE 2016

Maria Valéria Rezende

Outros cantos
Alfaguara

Maria cruza o sertão – e a noite – num ônibus que a levará a algum ponto isolado do Nordeste, e relembra sua primeira incursão naquela região agreste, quarenta anos antes, em condições mais precárias e perigosas, seguindo um anúncio num diário oficial que lista municípios onde se precisava de alfabetizadores para o Mobral. As lembranças do tempo passado se cruzam a outras, e ao mesmo tempo com pessoas de coragem e pureza, que a ajudam a enfrentar as dificuldades do caminho. Com sutileza e domínio da narrativa, Maria Valéria Rezende vai compondo um retrato emocionante dessa mulher determinada, que sacrifica a própria vida em troca de algo maior.


Maria Valéria Rezende nasceu em 1942, em Santos, onde morou até os 18 anos. Em 1965 entrou para a Congregação de Nossa Senhora Cônegas de Santo Agostinho. Sempre se dedicou à educação popular, nas regiões de periferia e no meio rural. Desde 1986, mora em João Pessoa. Estreou na ficção em 2001, com a coletânea de contos Vasto mundo. Depois, dedicou-se a literatura infantojuvenil, escrevendo diversos títulos. Em 2005, publicou o elogiado romance O voo da guará vermelha e um ano depois, o livro de contos Modo de apanhar pássaros à mão. Em 2015, ganhou o prêmio Jabuti com o romance Quarenta dias. Seu mais recente lançamento, Outros cantos, foi vencedor da 58ª edição do Prêmio Casa de las Américas na categoria Literatura Brasileira em 2017.

AUTOR ESTREANTE (+40)

Franklin Carvalho

Céus e terra
Record

Céus e Terra conta a história de um menino pobre do sertão baiano, que é convocado para ajudar a salvar um homem crucificado. Os dois acabam morrendo. Como uma espécie de fantasma, o garoto de 12 anos começa a acompanhar a rotina da pequena cidade de Araci e assim passa a compreender os símbolos e tradições locais que não puderam ser integralmente assimilados durante sua breve vida terrena.

O baiano Franklin Carvalho se formou em jornalismo e enveredou pela carreira acadêmica. Céus e terra foi vencedor do Prêmio Sesc de Literatura de 2016 na categoria Romance e é resultado de suas pesquisas sobre a morte para o mestrado em antropologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Seus outros dois livros, Câmara e cadeia e O encourado, ambos lançados em 2009, apresentam temas como apocalipse e vampiros.

AUTOR ESTREANTE (ATÉ 40)

Maurício de Almeida

A instrução da noite
Rocco

Depois de anos desaparecido, um pai volta para casa, provocando, além de surpresa, uma avalanche de sentimentos contraditórios nos membros da família. Dialogando com a literatura de Osman Lins e Raduan Nassar, o autor cria belas metáforas para falar de situações e sentimentos como perdas, traição, frustração, solidão, medo e abandono, e dos traumas que cada um carrega, muitas vezes por uma vida inteira, e que influenciam as escolhas que fazemos ao longo dessa mesma vida. O retorno inesperado do pai ao seio dessa família nuclear, composta pela ex-mulher e filho apenas, causa um enorme mal-estar. O excesso de medo, a obediência servil, o conformismo acabam por transformar o narrador em prisioneiro de um destino indesejado.


O escritor nasceu em Campinas em 1982. É formado em antropologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Venceu o Prêmio Sesc de Literatura em 2007 na categoria contos com o livro Beijando Dentes (2008). Participou das coletâneas Como se não houvesse amanhã (2010) e O livro branco (2012) e tem contos publicados em diversas revistas e jornais, além de traduções para o espanhol na Machado de Assis Magazine e para o inglês no Contemporary Brazilian Short Stories.

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MELHOR LIVRO DE ROMANCE DO ANO 2016

Bernardo CarvalhoSimpatia pelo demônio (Companhia das Letras)
Flávio IzhakiTentativas de capturar o ar (Rocco)
Javier Arancibia ContrerasSoy loco por ti, América (Companhia das Letras)
José Luiz PassosO marechal de costas (Alfaguara)
Maria Valéria RezendeOutros cantos (Alfaguara)
Michel LaubO tribunal da quinta-feira (Companhia das Letras)
Miguel Sanches NetoA bíblia do Che (Companhia das Letras)
Ricardo LísiasA vista particular (Alfaguara)
Silviano SantiagoMachado (Companhia das Letras)
Victor HeringerO amor dos homens avulsos (Companhia das Letras)

MELHOR LIVRO DE ROMANCE DO ANO - AUTOR ESTREANTE COM MAIS DE 40 ANOS

Antonio CestaroArco de virar réu (Tordesilhas | Alaúde)
Franklin CarvalhoCéus e terra (Record)
Martha BatalhaA vida invisível de Eurídice Gusmão (Companhia das Letras)
Priscila GontijoPeixe cego (7 Letras)
Tina CorreiaEssa menina: De Paris a Paripiranga (Alfaguara)

MELHOR LIVRO DE ROMANCE DO ANO - AUTOR ESTREANTE COM ATÉ 40 ANOS

Alexandre Marques RodriguesEntropia (Record)
André TimmModos inacabados de morrer (Oito e Meio)
Maurício de AlmeidaA instrução da noite (Rocco)
Raul RuasEm torno dos 26 anos: Quando predominam tons tristes, vaidosos e politicamente incorretos (7 Letras)
Robson ViturinoDo outro lado do rio (Nós)

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CURADORES

Antonio Carlos de Moraes Sartini
Lígia Fonseca Ferreira
Rogério Pereira
Samuel de Vasconcelos Titan Junior
Sandra Regina Ferro Espilotro
JÚRI INICIAL

Adriano Schwartz
Claudia Abeling
Hélio de Seixas Guimarães
Jiro Takahashi
José Luiz Chicani Tahan
Luiz Fernando Telles
Maria da Aparecida Saldanha
Paula Valéria Andrade
Regina Pires de Brito
Vanessa Ferrari
JÚRI FINAL

Alcir Pécora
Alonso Alvarez
Cintia Alves
Flavio Cafiero
Leyla Perrone-Moisés
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MELHOR LIVRO DO ANO DE 2015

Beatriz Bracher

Anatomia do Paraíso
Editora 34

Félix, um jovem de classe média, escreve uma dissertação de mestrado sobre o Paraíso perdido (1667), poema épico de John Milton que narra a queda do homem e a expulsão de Adão e Eva do Paraíso. A história se desenvolve simultaneamente em vários planos: o dia a dia do estudante; suas reflexões sobre a obra de Milton; a dura vida de Vanda, vizinha de Félix, que se divide entre trabalho, estudo e cuidados com a irmã mais nova; e o delicado processo de amadurecimento desta última, a adolescente Maria Joana. Os temas do Paraíso perdido, como culpa e redenção, ganham vida nas experiências dos personagens.


Nasceu em São Paulo, em 1961. Formada em letras, foi uma das editoras a revista de literatura e filosofia 34 Letras e uma das fundadoras da Editora 34. Em 2002, publicou Azul e dura, seu primeiro romance. Antônio, de 2007, obteve em 2008 o Prêmio Jabuti (3º lugar) e o Prêmio Portugal Telecom (2º lugar), e foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura. Meu amor (2009) ganhou o Prêmio Clarice Lispector, da Fundação Biblioteca Nacional, como melhor livro de contos de 2009. Garimpo (2013) faturou o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) na categoria Contos e Crônicas em 2013 e recebeu menção honrosa no Prêmio Casa de las Américas, de Cuba, em 2015.

AUTOR ESTREANTE (+40)

Marcelo Maluf

A imensidão íntima dos carneiros
Editora Reformatório

Assaad Simão Maluf veio do Líbano para o Brasil ainda menino, depois de viver uma tragédia na família, no ano de 1920. Marcelo, seu neto, não o conheceu. Quando nasceu, em janeiro de 1974, Assaad Simão já havia falecido. Mas, na busca por compreender sua própria identidade e a dos seus antepassados, Marcelo se vê no ano de 1966, na casa do avô, na cidade de Santa Bárbara d’Oeste, interior de São Paulo. Sentado à janela da casa, Assaad escreve em um caderno suas memórias sobre a infância no Líbano, quando pastoreava carneiros nas montanhas de Zahle. Marcelo acompanha, como uma presença invisível, a escrita do avô, que está vivendo os seus últimos dias.

Nasceu em Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo, em 1974. É escritor, professor e mestre em artes pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Publicou o livro de contos Esquece tudo agora (2012) e o infantil As mil e uma histórias de Manuela (2013), entre outros. A imensidão íntima dos carneiros é o seu primeiro romance e foi finalista do Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) em 2015. Vive em São Paulo desde 1999.

AUTOR ESTREANTE (ATÉ 40)

Rafael Gallo

Rebentar
Record

Ângela é mãe de uma criança desaparecida. Felipe, aos 5 anos de idade, sumiu depois de ter sido deixado sozinho em uma loja de brinquedos, por alguns minutos, e nunca mais foi visto. Após passar três décadas afundada no luto pela ausência e nos esforços fracassados da busca pelo menino, Ângela decide encerrar por conta própria seu elo com o filho, aceitando sua perda irremediável e se dando o direito de reconstruir seu mundo. Uma emocionante travessia por entre a vida, a morte e tudo o que há no meio.


Paulistano, é graduado em música pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e mestre em meios e processos audiovisuais pela Universidade de São Paulo (USP). É autor de Réveillon e outros dias (2012), livro vencedor do Prêmio Sesc de Literatura e finalista do Prêmio Jabuti, ambos na categoria Contos, e de Rebentar (2015). Tem ainda contos publicados em diversas revistas e antologias, como a Desassossego (2014) e a Machado de Assis Magazine (2012), que veiculou a tradução do conto Réveillon para o espanhol.

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MELHOR LIVRO DE ROMANCE DO ANO 2015

Beatriz BracherAnatomia do Paraíso (Editora 34)
João AlminoEnigmas da primavera (Editora Record)
Julián FúksA resistência (Cia. das Letras – Schwarcz)
Marcelo Rubens PaivaAinda estou aqui (Editora Alfaguara – Schwarcz)
Mia CoutoMulheres de cinzas – As areias do Imperador (Cia. das Letras – Schwarcz)
Nei LopesRio Negro, 50 (Editora Record)
Noemi JaffeÍrisz: As orquídeas (Cia. das Letras – Schwarcz)
Paula FábrioUm dia toparei comigo (Editora Foz)
Raimundo CarreroO senhor agora vai mudar de corpo (Editora Record)
Santana FilhoA casa das marionetes (Editora Reformatório)

MELHOR LIVRO DE ROMANCE DO ANO - AUTOR ESTREANTE COM MAIS DE 40 ANOS

Eda NagayamaDesgarrados (Editora Cosac Naify)
Marcelo MalufA imensidão íntima dos carneiros (Editora Reformatório)
Robertson FrizeroLonge das aldeias (Editora Dublinense – Terceiro Selo)

MELHOR LIVRO DE ROMANCE DO ANO - AUTOR ESTREANTE COM ATÉ 40 ANOS

Alex SensO frágil toque dos mutilados (Editora Autêntica)
Isabela NoronhaResta um (Cia. das Letras – Schwarcz)
Julia DantasRuína y leveza (Não Editora)
Rafael GalloRebentar (Editora Record)
Sheyla SmaniotoDesesterro (Editora Record)
Tércia MontenegroTurismo para cegos (Cia. das Letras – Schwarcz)
Tomas RosenfeldPara não dizer que não falei de Flora (Editora 7 Letras)

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MELHOR LIVRO DO ANO DE 2014

Estevão Azevedo

Tempo de espalhar pedras
Cosac Naify

Em lugar indeterminado, um grupo de homens cava e peneira a terra em busca de diamantes que não existem mais. Submissos ao coronel que se beneficia de seu trabalho, os garimpeiros procuram manter o equilíbrio instável de suas vidas, suspensos entre a penúria extrema e as artes da sobrevivência. Em meio ao cenário de extinção, surgem histórias de amor. Joca, Bezerra, Ximena e Rodrigo acreditam que o desejo poderá levá-los a outro destino. O crente Silvério busca refúgio na fé. Romeu e Julieta apocalíptico numa Verona reinventada no garimpo, aqui não há redenção nem esperança.


Estevão Azevedo nasceu em Natal (RN) e vive em São Paulo. É editor e mestre em literatura brasileira pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2005, publicou o livro de contos O som do nada acontecendo (coletivo Edições K). Seu primeiro romance, Nunca o nome do menino (Terceiro Nome, 2008), foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura em 2009. Tem contos publicados em revistas e na antologia de escritores brasileiros Popcorn unterm Zuckerhut – Junge brasilianische literatur, lançada em 2013 na Alemanha. Tempo de espalhar pedras será lançado na Itália em 2016.

AUTOR ESTREANTE (+40)

Micheliny Verunschk

Nossa Teresa – Vida e morte de uma santa suicida
Patuá

A personagem Teresa é uma adolescente cujos desejos não chegam a sê-los, pois são espontaneamente saciados como os anseios dos anjos. A moça é vidente, opera milagres e vai surgindo líquida, narrada por um velho que resiste em entregá-la de todo para o leitor. Mas ela chega cada vez mais perto, beatificada pelo Papa e trazendo um desejo que a tentou até sua realização: o suicídio.


Micheliny Verunschk nasceu em Recife (PE) em 1972. Estreou no gênero romance com Nossa Teresa – Vida e morte de uma santa suicida, projeto que contou com patrocínio da Petrobras Cultural. Também é autora dos livros Geografia íntima do deserto (Landy, 2003), O observador e o nada (Edições Bagaço, 2003) e A cartografia da noite (Lumme Editor, 2010). Foi finalista, em 2004, do prêmio Portugal Telecom com Geografia íntima do deserto. É doutoranda em Comunicação e Semiótica e mestre em Literatura e Crítica Literária, ambos pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

AUTOR ESTREANTE (-40)

Débora Ferraz

Enquanto Deus não está olhando
Record

Érica é uma jovem artista plástica em busca do pai, que fugiu do hospital onde estava internado. Procura possíveis rastros que ele possa ter deixado e, a partir de pequenas memórias, tenta entender a relação com a figura paterna. Enquanto Deus não está olhando é sobre o que a autora chama de instante modificador, aquele ínfimo de segundo que pode transformar completamente a trajetória de alguém. Também é sobre a perda e a insegurança de ingressar na idade adulta sem preparo.


Débora Laís Ferraz dos Santos nasceu em Serra Talhada (PE) em 1987 e mudou-se para João Pessoa em 2001, onde se formou em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Escreveu seu primeiro livro, Os anjos, em 2003. Seu conto O Filhote de terremoto foi finalista do Prêmio Sesc de Contos Machado de Assis de 2012 e adaptado para o cinema no curta-metragem Catástrofe (2012). Venceu o Prêmio Sesc de Literatura de 2014 na categoria romance com Enquanto Deus não está olhando.

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