Prêmio São Paulo realiza programação cultural na BVL

Prêmio São Paulo realiza programação cultural na BVL

Em clima descontraído, a Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) recebeu neste domingo, 9 de outubro, o último bate-papo com os finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura 2016. O Encontro com o Escritor foi mediado pela jornalista Adriana Couto e trouxe os escritores João Almino, Júlia Dantas, Rafael Gallo, Raimundo Carrero, Robertson Frizero e Tércia Montenegro. Na conversa, o público pode conhecer as obras finalistas, além de aprender e trocar ideias sobre literatura.

João Almino comentou que o enredo de Enigmas da primavera (Editora Record) trata de um amor impossível e que o livro levou cinco anos para ser finalizado. Conta a história de um personagem perdido num mundo perdido: quer se converter ao islamismo, mas vai para Madri num Encontro Mundial da Juventude, evento de teor cristão. “Neste livro quis tratar da tolerância religiosa, que é um tema central no mundo de hoje. Li muito Gustave Flaubert e Thomas Mann para aprender a falar do presente sem parecer datado”.

Júlia Dantas disse que seu Ruína y leveza (Não Editora) é uma narrativa de estrada e que esse é tipo de livro que ela gosta de ler. A obra narra uma viagem pela América Latina, intercalando capítulos com a vida pregressa da protagonista na cidade de Porto Alegre. “A América Latina sempre me pareceu um lugar novo e desconhecido em comparação com a Europa e Estados Unidos. Além do mais conheço boa parte dos países que estão na trama”.

Rafael Gallo disse que foi com Rebentar (Editora Record) que passou a levar a carreira de escritor mais a sério. O autor estreante sempre gostou de escrever, mas desenvolve seu talento literário em paralelo com outras atividades. A obra conta a história de um filho que sumiu e, após trinta anos, a mãe decide encerrar essa busca. “Gosto de histórias que demandem do protagonista mais. Nem o fim é completo, nem o começo é completo. É um livro que transita entre uma ternura difícil e um niilismo total”.

Raimundo Carrero, finalista com O senhor agora vai mudar de corpo (Editora Record), disse que “o melhor da literatura é a sedução”. Contou que este título lhe foi falado por uma cuidadora após sofrer um AVC. Isso ficou na cabeça e serviu de combustível para mais um romance. “É como um monólogo em falsa terceira pessoa. Aprendi com Ariano Suassuna que a literatura é uma grande metáfora. Escrever é procurar uma beleza. Não quero como escritor contar uma história; quero contar o sentimento da história”.

Robertson Frizero comentou que Longe das aldeias (Editora Dublinense) conta a história de um jovem de 17 anos que começa a questionar as suas origens. O protagonista foi concebido em meio a uma guerra civil e na obra o autor quis tratar da primeira geração pós-guerra. “O cerne no livro é um crime de guerra. Essas histórias são tão comuns. O jornalismo trata disso de certa maneira, o ensaio é mais racional. Mas com a literatura a gente consegue mergulhar mais fundo”.

Tércia Montenegro disse que seu romance de estreia começou com o título, Turismo para cegos (Cia. das Letras). Ela lia para deficientes visuais em Fortaleza e tinha curiosidade de saber como seria viagem de um cego para um lugar desconhecido. A medida que foi escrevendo, criou uma personagem que sofre de retinite pigmentosa, ou seja, vai ficar cega em algum momento. O contraponto é que essa protagonista é uma tirana. “Queria desconstruir a ideia piedosa que temos sobre um deficiente físico. Por outro lado, temos uma metáfora: a bem da verdade estamos às cegas nessa viagem da vida”.

A cerimônia de entrega do Prêmio São Paulo de Literatura será na BVL na segunda-feira, 10, às 20 horas. Para conhecer melhor os autores e os livros finalistas, acesse este link.