Prêmio São Paulo realiza programação cultural na BVL

Prêmio São Paulo realiza programação cultural na BVL

A Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) recebeu neste domingo, 5 de novembro, o segundo bate-papo com os finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura 2017. O encontro foi mediado pela jornalista da TV Cultura Adriana Couto e teve como convidados os autores: Maria Valéria Rezende, Franklin Carvalho, Tina Correia, Alexandre Marques Rodrigues, André Timm, Maurício de Almeida e Raul Ruas. Na conversa na Oca, o público pode conhecer as obras e o processo criativo destes finalistas, além de suas opiniões literárias.

Maria Valéria Rezende expõe em Outros cantos a história do Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral) em pleno agreste brasileiro e a história de sua protagonista, Maria, que cruza o sertão num ônibus relembrando memórias de um tempo passado. “Os percursos desta personagem, eu fiz, mas a narradora não sou eu. Ela é muito mais sentimental. Já eu acho que a vida é mais forte do que todo o resto, que tem outras formas”.

Crédito: Equipe SP Leituras

Franklin Carvalho conta em Céus e terra a história de três mortes que aconteceram no ano de 1974: a de um cigano, um menino e um lavrador. Esse pano de fundo é usado para falar de vida, morte, trocas afetivas, solidariedade, das pequenas transcendências e do estranhamento. “É um livro sentimental e barroco, para se perder e se reencontrar”.

Tina Correia disse que o enredo de Essa menina: De Paris a Paripiranga expõe os dramas familiares de uma personagem entre os anos de 1930 a 1960. A narradora se chama Esperança, uma militante politica que se muda para Paris por conta da perseguição política. “Mostro no livro que as pessoas são iguais aqui, em Paris, Londres, Havaí e no Afeganistão. E essa menina relembra a história da aldeia de Paripiranga, onde cresceu”.

Alexandre Marques Rodrigues aborda Entropia como uma alegoria para os problemas de comunicação do mundo contemporâneo e para ter a possibilidade de novas narrativas, onde fala de amor, memória, identidade e sexo. “Vejo um pouco do nosso lado solitário, que nunca deixamos de ficar sozinhos”.

Crédito: Equipe SP Leituras

André Timm comenta que Modos inacabados de morrer é um romance de formação. O autor conta a história de Santiago, dos 13 aos 33 anos. O protagonista sofre com uma severa condição clínica: a narcolepsia. A doença faz a pessoa dormir em qualquer situação, seja dirigindo ou trabalhando. Seu livro anterior, Insoniatambém aborda a privação do sono. “Saí de um livro onde as pessoas não dormiam para outro em que dormem o tempo todo. Talvez fale destes tempos estranhos, da letargia e da intolerância. É como se todos nós estivéssemos de olhos fechados”.

Maurício de Almeida disse que a trama de A instrução da noite traz uma grande virada na vida do personagem principal: a inesperada chegada do pai, que há anos estava desaparecido. Esse fato abala o núcleo familiar composto pela mãe e a esposa. “É o colapso desta figura, que remete a uma impossibilidade. É narrado em primeiríssima pessoa, onde ele está tentando lidar com essa nova situação”.

Raul Ruas explica Em torno dos 26 anos: Quando predominam tons tristes, vaidosos e politicamente incorretos é o seu retrato de uma geração. O autor tem influências de grandes escritores como James Joyce e Marcel Proust e aposta num formato entre a memória, crônica e poesia. “Parece que do nada, acontece alguma coisa. De certa forma, falo de vingança e do tempo”.

A solenidade do Prêmio São Paulo de Literatura será também na BVL nesta segunda-feira, 6 de novembro, às 20 horas. Para saber como foi o encontro de sábado, 4 de novembro, na Biblioteca de São Paulo (BSP), veja este link. Para conhecer mais sobre 20 livros finalistas, acesse esta página.

Comentar

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *