Dois encontros marcantes: sábado na BSP, segunda-feira em Araraquara

Eventos da Programação Cultural do Prêmio São Paulo de Literatura reuniram bom público, tanto na Capital como no Interior.

O primeiro foi no Auditório da Biblioteca de São Paulo, no Parque da Juventude, na manhã de sábado. O outro, a 275 km de distância, na Biblioteca Pública Municipal Mário de Andrade, em Araraquara, segunda-feira à noite.

Na capital estiveram os autores Domingos Pellegrini, Silvio Lancellotti e Paulo Scott, com a mediação de Adriana Couto. Cerca de 50 leitores prestigiaram o evento.

Entre muitos assuntos, como a transição da máquina de escrever para o computador, crítica literária, empobrecimento da língua, relação com os leitores. Falou-se também do crescimento do mercado literário nos últimos anos, graças a ações de incentivo ao livro e à leitura, como feiras e concursos literários, onde o Prêmio São Paulo de Literatura é um dos destaques.

Pellegrini relembrou o tempo em que se dizia que só dois escritores viviam exclusivamente de literatura no Brasil: Jorge Amado e Érico Verissimo. Hoje, a realidade é diferente. Existem inúmeros escritores que vivem exclusivamente da sua produção literária. Paulo Scott foi taxativo: é incrível, mas é a poesia que paga as minhas contas!

Em um momento mais descontraído, Lancellotti levou a plateia às gargalhadas ao comentar sobre seu próprio livro Em nome do pai dos burros: ‘Eu gosto dele. Já li umas oito vezes’.

Em Araraquara, mais de 80 pessoas foram ouvir e conversar com os escritores Luiz Ruffato e Ana Mariano no auditório da Biblioteca Mario de Andrade. Ambos falaram sobre suas trajetórias na literatura, suas motivações para escrever, suas obras publicadas e, em especial, sobre as que estão concorrendo ao Prêmio São Paulo de Literatura 2012. Houve grande participação dos presentes com perguntas dirigidas aos dois escritores.

Ana Mariano, embora tenha iniciado tardiamente sua carreira literária, é poeta experiente. Considera seu primeiro romance – Atado de ervas – uma obra meio deslocada no cenário atual onde predomina a temática mais urbana, onde o tempo corre num ritmo mais acelerado do que está retratado em seu livro.

A obra de Ruffato – Domingos sem Deus, quinto volume da série Inferno Provisório – ao contrário, tem a grande cidade e suas neuroses como pano de fundo para narrar a luta e a solidão dos que vivem como se fossem invisíveis, dos anônimos que perambulam esquecidos em meio à multidão eternamente apressada.

Ao retornar a Araraquara depois de muitos anos, Ruffato teve oportunidade de reviver um momento marcante de sua vida profissional: a conquista do segundo lugar de um concurso de contos promovido pela Biblioteca Pública Municipal Mario de Andrade que deflagrou seu desejo íntimo de ser escritor.

A Programação Cultural continua em São Carlos (4/9) e em Lençóis Paulista (5/9).

Veja aqui programação completa, com os autores convidados, locais e horários. As inscrições são gratuitas, mas as vagas são limitadas.

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