Bate-papo com finalistas da décima edição na BSP

Bate-papo com finalistas da décima edição na BSP

A Biblioteca de São Paulo (BSP) recebeu neste sábado, 4 de novembro, o primeiro bate-papo com os finalistas da décima edição do Prêmio São Paulo de Literatura. O Encontro com o Escritor foi mediado pela jornalista Adriana Couto e contou com a presença dos autores: Bernardo Carvalho, Javier Arancibia Contreras, Ricardo Lísias, Antonio Cestaro, Priscila Gontijo e Robson Viturino. A conversa começou às 11 horas no auditório da biblioteca, onde o público pode conhecer as obras e trocar ideias sobre literatura.

Bernardo Carvalho comentou que o título do livro Simpatia pelo demônio se inspira em uma música da banda inglesa Rolling Stones. Que o personagem principal trabalha numa organização similar a ONU e que questiona o seu lugar no mundo. A ideia – do personagem e dele como autor – é arriscar: valores, reputação e expor a fragilidade. “Tenho uma obsessão em questionar a ideia de identidade”.

Javier Arancibia Contreras busca por uma latinidade que está presente e latente. Nascido no Chile, mora em Santos há muito tempo: seus pais fugiram do regime ditatorial do país vizinho. Soy loco por ti, América acompanha quatro protagonistas da década de 60 até um pouco mais do que os dias de hoje, usando como pano de fundo a América Latina. “A síntese do livro é o exílio, a busca pelo pertencimento e a identidade. E toda essa nuance histórica da América Latina, que sempre foi sangrenta e violenta”.

Crédito: Equipe SP Leituras

Ricardo Lísias afirmou que seus textos e livros estão sempre questionando o que é a realidade. E ele usa este expediente também em A vista particular. A trama gira em em torno de um traficante e de um artista plástico e fala das nossas mazelas, sempre com muita ironia. “Acho que a ficção também faz parte da realidade. Na obra, falo de uma visão particular da cidade, são várias vistas de uma mesma tragédia”.

Antonio Cestaro revelou um pouco mais sobre Arco de virar réu. O romance é narrado em primeira pessoa e os fatos são misturados com digressões próprias da esquizofrenia. Em paralelo, uma pesquisa histórica sobre a cultura indígena dos tupinambás e o Brasil da época do descobrimento. “A ideia é questionar o que é a loucura, mostrando a apropriação, o poder e a cultura”.

Priscila Gontijo fala de Peixe cego, onde expõe a solidão e a sua paixão pela literatura e o teatro, em particular Nelson Rodrigues. A protagonista do livro é Irina. Ela sonha com uma viagem a Moscou, para assistir a montagem As três irmãs, do dramaturgo Anton Tchekhov. Ao conseguir a passagem, descobre que não tem um acompanhante. “Ela não tem ninguém, um elo mais significativo na vida. O livro também conta essa busca pelo outro”.

Robson Viturino, por sua vez, vê uma grande conexão entre a geografia e a vida das personagens em Do outro lado do rio. Seu romance de estreia fala de um dramaturgo de 80 anos que é procurado por Nina, encarregada de entrevistá-lo para escrever um obituário. Entre as várias tensões da trama, uma delas está na relação complicada da jornalista com seu pai, um empresário do ramo imobiliário em ascensão. “Ela glamoriza o passado e não se envolve com o presente. E no meio disso tudo, o rio Tietê, a cidade e uma possibilidade de renascimento e de morte”.

Crédito: Equipe SP Leituras

O próximo Encontro com o Escritor vai ser neste domingo, 5, na Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL), também às 11 horas. A cerimônia de entrega do Prêmio São Paulo de Literatura será na segunda, 6 de novembro, às 20 horas, na BVL. Para conhecer melhor os autores e os livros finalistas de 2017, acesse este link.

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